Clos du Tue-Boeuf: vinhos naturais e controvérsias no Loire

Last Updated on 1 de setembro de 2023 by Wine Fun

Em uma época na qual falar de vinhos naturais era quase uma heresia, os irmãos Puzelat, da Clos du Tue-Boeuf, decidiram optar por este caminho. E mais de 25 anos depois da decisão, a propriedade da família, agora também com uma nova geração envolvida, continua sendo uma referência para vinhos naturais na região do Loire. Mas é um Loire diferente do que a maioria conhece.

As uvas principais na Clos du Tue-Boeuf não são Chenin Blanc ou Cabernet Franc, mas sim Pinot Noir, Gamay, Sauvignon Blanc e Chardonnay. E mais outras variedades locais pouco difundidas fora da região. E isso reflete muito bem as condições das duas denominações onde possuem vinhedos: Cheverny e Touraine. Mesmo que, para manter sua tipicidade, a Clos du Tue-Boeuf tenha uma controvertida relação com os conselhos reguladores locais.

Muita tradição

O lieu-dit Le Tue-Boeuf tem uma história centenária, com menções de seus vinhedos datadas da Idade Média. Existem menções que, por sua qualidade, eram usados para elaborar vinhos que agradavam aos reis da França. A presença da família Puzelat na localidade de Les Montils também é histórica, desde o século XV.

Porém, a história da vinícola como a conhecemos hoje começou muito depois. Jean-Marie Puzelat, o mais velho dos irmãos, foi o primeiro. Depois de vários anos de experiências em Champagne e outras regiões, assumiu os vinhedos em 1990. Quatro anos depois, foi Thierry que voltou para casa, após ter trabalhado em Saint-Emilion e Bandol e de ter morado no Canadá. O time estava completo.

Mas o tempo passa. Após uma longa carreira de mais de 40 anos, Jean-Marie se aposentou após a safra de 2018. Thierry está atualmente no comando da propriedade, porém, agora acompanhado por sua filha Zöe.

Agricultura e vinhedos

O compromisso com vinhos mais autênticos veio desde o início da parceria entre Jean-Marie e Thierry. Foi em 1996 que os irmãos converteram seus vinhedos para agricultura orgânica. Além dos 10 hectares da propriedade da família em Les Montils, dentro da denominação Cheverny AOC,  também arrendam mais 4 hectares em Monthou-sur-Bièvre, dentro da denominação Touraine AOC.

Cultivam principalmente as varietais típicas de Cheverny (Sauvignon Blanc, Chardonnay, Gamay e Pinot Noir). Porém, trabalham também com diversas outras uvas. Os destaques são Menu Pineau (uma variedade rara também chamada de Orbois Blanc), Chenin Blanc, Romorantin, Malbec (ou Côt, como conhecida na região) e Pineau d’Aunis.

Vinificação

Em paralelo com a introdução da agricultura orgânica nos vinhedos, reduziram de forma significativa a intervenção na vinificação. A partir de 1994 baniram todos os aditivos usados na elaboração de seus vinhos (à exceção, e somente caso necessário, de uma pequena dose de sulfitos antes do engarrafamento).

As uvas são colhidas manualmente e as fermentações, geralmente longas, são realizadas exclusivamente com leveduras indígenas, sendo cada parcela distinta de vinhedo vinificada separadamente. O envelhecimento em barris de carvalho usado permite o amadurecimento e a decantação natural dos vinhos, que não passam por filtragem ou colagem. Apenas os vinhos que passam por estágio em tanques de aço ocasionalmente passam por filtração.

Vinhos

Além das cuvées elaboradas a partir dos vinhedos próprios e arrendados, a Clos de Tue-Boeuf também produz, desde 2003, vinhos a partir de uvas de agricultura orgânica compradas junto a produtores locais. Elas são usadas para seus vinhos de entrada e de consumo mais rápido, como Le P’tit Blanc du Tue-Boeuf, Vin Rouge e Vin Rosé, todos eles classificados como Vin de France.

A partir de 2020, porém, também os seus vinhos elaborados dentro da denominação Touraine AOC passaram a ser rotulados como Vin de France. Isso ocorreu por conta das diferenças entre Thierry e o conselho regulador da denominação. Assim, os brancos Le Brin de Chèvre, Le Petit Buisson, Le Buisson Pouilleux, Romorantin, Pineau de la Loire e Pineau d’Aunis, além dos tintos La Guerrerie e La Butte, não são mais rotulados como Touraine. Porém, os rótulos das cuvées (um desenho de um carro de boi) foram mantidos, o que permite distingui-los daqueles elaborados a partir de uvas de terceiros.

Já os três tintos dentro da denominação Cheverny AOC, seus dois vinhos mais disputados, La Caillère e La Gravotte (ambos majoritariamente Pinot Noir) e o Rouillon (50% Pinot Noir e 50% Gamay), seguem sendo rotulados dentro da denominação Cheverny. Completa a linha o Qvevrj Blanc, um branco com envelhecimento em ânforas.

Nome da VinícolaClos du Tue-Boeuf
Estabelecida1990
Website http://www.puzelat.com/
EnólogoThierry Puzelat
UvasSauvignon Blanc, Chardonnay, Orbois Blanc, Chenin Blanc, Romorantin, Gamay, Pinot Noir, Malbec, Pineau d’Aunis
Área de Vinhedos14 ha
Sede da VinícolaLes Montils (Loir-et-Cher)
DenominaçõesCheverny, Vin de France
PaísFrança
AgriculturaOrgânica
VinificaçãoNatural

Fontes: Website da vinícola; Louis Dressner (seu importador nos EUA), Racine Wine Imports (seu importador na Costa Oeste do Canada)

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