Last Updated on 15 de janeiro de 2023 by Wine Fun
A Domaine de L’Ecu pode orgulhosamente ostestar a condição de ter sido uma das pioneiras da reintrodução da agricultura sem uso de pesticidas e herbicidas na viticultura francesa. Guy Bossard, parte de uma família com tradição de cinco gerações na vinicultura, decidiu, em 1972, converter seus vinhedos para a agricultura orgânica.
Décadas depois, a vinícola foi um passo além e, desde 1998, recebeu certificação biodinâmica. Além dos Muscadet Sévre et Maine, que a fizeram famosa, a Domaine de L’Ecu elabora também uma grande quantidade de cuvées distintas de outras variedades que não a Melon de Bourgogne.
Pioneirismo em vários ângulos
Antes mesmo de Guy Bossard assumir a propriedade, a vinícola já era bem vista na região, com tanto seu pai como avô sendo reconhecidos como grandes vinhateiros. Mas sua chegada e a decisão de converter seus vinhedos foi uma aposta que deu certo. Na época, ninguém na região cogitava o trabalho nos vinhedos sem produtos químicos e os desafios foram muitos, até pela falta de um mentor com experiência no assunto.
A certificação orgânica veio em 1975 e a biodinâmica em 1998. Além dos cuidados com vinhedos, por muito tempo a vinícola focou apenas na produção de Muscadet, porém com um diferencial importante. Desde cedo, Bossard entendeu a especificidade de cada terroir, elaborando quatro cuvées explorando as nuances da Melon de Bourgogne em terroirs distintos.
Um passo importante ocorreu em 2009, com a chegada de Frédéric Niger, que, após trabalhar com Bossard por três anos, assumiu o controle da Domaine de l’Ecu em 2012. Fred, como é conhecido na região, manteve os princípios de Bossard e decidiu também expandir os horizontes da vinícola, apostando na elaboração de uma grande quantidade de cuvées distintas, de outras variedades.
Agricultura e vinhedos
Atualmente são cerca de 30 hectares de vinhedos (dos quais 18 próprios), com certificação orgânica Ecocert, e biodinâmica, tanto por Demeter como Biodyvin. Destes, a maioria é dedicada às variedades brancas, como Melon de Bourgogne (quase metade desta área), Chenin Blanc, Chardonnay e Folle Blanche.
Os demais são plantados com variedades tintas, como Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir. Além das práticas orgânicas e biodinâmicas, os vinhedos são cultivados com baixos rendimentos, com o intuito de trazer a maior expressão possível às uvas.
Vinificação
Assim como na agricultura, a vinificação também segue os princípios de mínima intervenção e veto ao uso de produtos químicos. Não há uso de tecnologias modernas na vinificação, nem mesmo bombas. Todos os cuvées são fermentadas com leveduras indígenas e a gravidade é usada em toda a adega, desde o recebimento da colheita até fermentação e envelhecimento.
Dependendo da cuvée, sulfitos são usados, mas sempre dentro de limites estritos. Os níveis totais de SO2 nos vinhos são de no máximo 30/40mg/l, o que é menos da metade do máximo permitido pela Demeter para a certificação de vinho biodinâmico e um pouco acima de uma das definições de vinhos Vin Méthode Nature.
Um diferencial importante da Domaine de l’Écu é o uso de ânforas no envelhecimento de seus vinhos. Nas últimas 35 safras, em 25 delas os vinhos foram envelhecidos exclusivamente em ânforas ou tanques subterrâneos de cimento.
Micro-vinificação e vinhos autorais
Fred Niger trabalha de forma muito intensa o conceito de micro-vinificação. Deste modo, além de um grupo restrito de cuvées de Melon de Bourgogne (atualmente três), elabora uma grande quantidade de cuvées distintas de outras variedades, com produção geralmente entre 1.200 e 3.000 garrafas de cada um ao ano.
Entre eles, destaque para algumas variedades de forte presença no Loire, como Cabernet Franc (cuvées Invictus e Mephisto), Folle Blanche (Margueritte), Chardonnay (Faust, Janus, Lux), Chardonnay e Folle Blanche (Celestial), Chenin Blanc (Matris), Cabernet Sauvignon (Muse Rosé, Rednoz), Pinot Noir (Domini, Ange) e Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc (Vitae).
Fred Niger também lançou um projeto de co-autoria de vinhos com outros produtores biodinâmicos, como Philippe Viret, Henri Milan, Domaine Josmeyer e Cosimo Maria Masini, chamado Le Temps des Copains. Atualmente são produzidos entre 10 e 15 cuvées distintas, com diversas variedades, entre elas Cinsault (Rostro), Syrah (Nobis, Fratis), Vermentino (Gloria), Gamay (Astra, Sanctus), Syrah e Grenache (Pax).
Carro chefe em Melon de Bourgogne
No entanto, a maior produção da Domaine de l’Écu segue sendo na linha de monovarietais de Melon de Bourgogne, todos com produção acima de 10.000 garrafas ao ano. O vinho de entrada é o Muscadet Sévre et Maine Classic, acompanhado por monovarietais elaborados a partir de solos distintos, como Granite e Orthogneiss.
Além destes, também elabora dois cuvées da mesma variedade com produções menores e dentro do conceito de micro-vinificação, chamados Taurus e Carpe Diem. No total, a Domaine de l’Écu elabora em torno de 120.000 garrafas ao ano.
| Nome da Vinícola | Domaine de L’Écu |
| Estabelecida | 1972 |
| Website | https://domaine-ecu.com/ |
| Enólogo | Fred Niger |
| Uvas | Melon de Bourgogne, Chardonnay, Chenin Blanc, Folle Blanche, Pinot Noir, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon |
| Área de Vinhedos | 30 ha |
| Sede da Vinícola | Le Landreau (Loire-Atlantique) |
| Denominações | Muscadet Sèvre et Maine, Vin de France |
| País | França |
| Agricultura | Biodinâmica |
| Vinificação | Natural |
Fontes: Website da vinícola; Triple A; La Revue de Vin de France; Floraison Selections (seu distribuidor nos EUA)