A Tokaj-Hétszőlő, tradicional vinícola húngara que atua na região de Tokaj desde 1502, é um dos nomes históricos e mais relevantes do vinho húngaro. A propriedade conta hoje com cerca de 55 hectares de cultivo orgânico certificado. A vinícola integra o portfólio do grupo Domaine Reybier, que também é proprietário do Château Cos d’Estournel, em Bordeaux. Foi um prazer ser recebido por Gergely Makay, diretor-geral, que conduziu a degustação dando uma verdadeira aula sobre os vinhos húngaros.
A prova deu destaque à uva Furmint, casta emblemática da região, conhecida por sua acidez elevada e grande capacidade de refletir o terroir. Historicamente associada aos grandes vinhos doces botrytizados, a variedade vem sendo cada vez mais explorada em versões secas e em espumantes. No total, foram degustados seis vinhos.
Peszgő Brut
Espumante elaborado 100% com Furmint pelo método tradicional e com cerca de 24 meses de autólise. Elegante e preciso, com bom perlage, notas de frutas brancas, maçã verde e leve toque de brioche. Acidez elevada, mousse cremosa e bom equilíbrio.
Furmint Dry Selection
Uso de uvas predominantemente provenientes do vinhedo Nagyszőlő, com fermentação natural e estágio de oito meses, com suas lias, em barricas francesas de segundo uso, originárias da Borgonha. Fresco e vertical, com alta acidez e textura levemente fenólica, com notas de frutas brancas (pera) e cítricas, com discreto cedro. Ainda jovem (safra 2023), deve ganhar com mais tempo em garrafa.
Da safra de 2014, porém, com uvas do mesmo vinhedo e vinificação muito semelhante à do vinho anterior, evidenciou-se o potencial de evolução da Furmint. Com perfil aromático mais complexo, trouxe notas de pedra molhada, leve caráter defumado e integração mais evidente da madeira. Fruta aparece mais contida, dando espaço a notas terciárias e minerais, mantendo alta acidez, maior profundidade e textura mais envolvente. Final longo e salino, delicioso.
Szamorodni Édes
Szamorodni é um estilo intermediário que combina uvas de colheita tardia e os clássicos Aszú. O vinho é elaborado com cachos inteiros parcialmente botrytizados. Com cerca de 100 g/L de açúcar residual e aproximadamente 8 g/L de acidez, apresentou um lindo equilíbrio entre dulçor e tensão. Olfativo com notas de damasco, açafrão, mel e frutas maduras, com um palato equilibrado. A acidez sustentou o conjunto, resultando em um vinho envolvente e aromático, mas tenso e repleto de frescor.
Tokaji Aszú 5 puttonyos
Aqui, uma viagem ao estilo que tornou a região de Tokaji famosa, com um nível superior de concentração e complexidade. O exemplar da safra 2017 mostrou perfil vibrante, apesar de 130 a 150 g/L de açúcar residual. Já o Aszú 5 puttonyos 2014 apresentou um perfil mais evoluído e complexo. Palato rico e sedutor, com 142 g/L de açúcar residual e uma incrível acidez de 10 g/L. Um grande vinho, que prova que esta região húngara segue como referência para alguns dos melhores vinhos doces do planeta.