Mais um ano de decepções. A produção mundial de vinhos voltou a ficar em um patamar baixo em 2025. Depois das safras complicadas em 2023 e 2024, havia expectativa de uma recuperação mais consistente, mas ela não veio. Segundo dados preliminares da OIV, a produção global de vinho, excluindo sucos e mostos, foi estimada em 227 milhões de hectolitros em 2025.
O número representa uma alta irrisória, de apenas 0,6% em relação ao baixo volume de 2024, o menor em 60 anos. Mais importante do que essa leve recuperação é o contexto: 2025 foi a terceira safra consecutiva em nível reduzido e ficou 9,4% abaixo da média dos últimos cinco anos. A produção mundial segue pressionada por eventos climáticos extremos, pela redução dos rendimentos em várias regiões e, em alguns casos, por estratégias de produção mais cautelosas diante de um mercado global com demanda mais fraca.
A OIV destaca que geadas de primavera, chuvas excessivas, períodos prolongados de seca e ondas de calor afetaram várias regiões produtoras em ambos os hemisférios. O impacto, porém, não foi uniforme. Alguns países conseguiram recuperar parte do volume perdido em 2024, enquanto outros voltaram a registrar perdas significativas.
Itália segue na liderança
A ordem entre os três maiores produtores mundiais se manteve em 2025. A Itália permaneceu na liderança, com produção estimada em 44,4 milhões de hectolitros. O número ficou praticamente estável em relação a 2024, com alta de 0,7%, mas ainda 4,1% abaixo da média de cinco anos. Foi um dos poucos grandes produtores a registrar uma safra relativamente próxima de sua média recente.
As condições climáticas italianas foram mais favoráveis do que as de outros países europeus. O crescimento veio principalmente do sul e de aumentos moderados no norte, enquanto diversas regiões vinícolas do centro do país registraram um leve recuo, lideradas pela menor produção na Toscana. Em algumas denominações, também houve limitação voluntária dos rendimentos para administrar estoques elevados.
A França manteve a segunda posição, com 36,1 milhões de hectolitros. O volume ficou praticamente igual ao de 2024, com queda de 0,1%, mas 15,5% abaixo da média de cinco anos. A produção francesa continuou em nível muito baixo, afetada por condições climáticas adversas entre a floração e a colheita, incluindo calor e seca em agosto, que aceleraram a maturação das uvas e reduziram o potencial produtivo. A recente redução da área plantada também contribuiu para limitar o volume nacional.
Espanha e Portugal com quedas
A Espanha permaneceu como o terceiro maior produtor mundial, mas voltou a registrar uma forte queda. A produção de 2025 foi estimada em 28,7 milhões de hectolitros, queda de 7,7% em relação a 2024 e 16,6% abaixo da média de cinco anos. Foi mais um ano marcado por seca e calor, com redução expressiva dos rendimentos e um dos menores volumes das últimas décadas.
Portugal também teve uma quebra relevante. A produção portuguesa foi estimada em 6 milhões de hectolitros, queda de 14% em relação a 2024 e 15,1% abaixo da média dos últimos cinco anos. Segundo a OIV, a safra foi marcada por grande volatilidade climática, com alternância entre chuvas intensas e ondas de calor. Esse cenário favoreceu o surgimento de doenças no vinhedo, aumentou o estresse hídrico e reduziu os rendimentos. Foi o menor volume produzido em Portugal desde 2011.
Entre os demais países europeus, a Alemanha produziu 7,6 milhões de hectolitros, queda de 2,6% em relação a 2024 e 10,4% abaixo da média de cinco anos. A Romênia ficou em 3,3 milhões de hectolitros, alta de 3,7%, mas ainda 17,6% abaixo da média. Já a Áustria teve recuperação importante, com 2,5 milhões de hectolitros, alta de 17,5% frente a 2024 e 6,4% acima da média de cinco anos.
Novo Mundo tem recuperação parcial
No hemisfério sul, a produção apresentou recuperação em 2025. Depois de duas safras muito baixas, o volume total chegou a cerca de 49 milhões de hectolitros, alta de 7,7% em relação a 2024. Mesmo assim, o resultado ainda ficou 4,6% abaixo da média de cinco anos. O hemisfério sul respondeu por aproximadamente 22% da produção mundial de vinho em 2025.
Entre os grandes produtores do Novo Mundo, os destaques positivos foram Austrália e África do Sul. A Austrália produziu 11,3 milhões de hectolitros, alta de 8,8% em relação a 2024, embora ainda 3,7% abaixo da média de cinco anos. Com esse volume, voltou a ser o maior produtor do hemisfério sul em 2025. A África do Sul também apresentou uma forte recuperação. A produção foi de 10,2 milhões de hectolitros, alta de 16,2% em relação a 2024 e 2,8% acima da média de cinco anos. Depois de duas safras reduzidas, o país teve uma colheita favorecida por um clima mais ameno e seco na maior parte das regiões produtoras, com boa sanidade das uvas e recuperação dos rendimentos.
Outro destaque positivo foi a Nova Zelândia, que registrou a segunda maior colheita da história do país. A produção chegou a 3,7 milhões de hectolitros, alta de 31,5% em relação à safra de 2024, prejudicada por geadas. O volume ficou 15,2% acima da média de cinco anos. A Argentina, por sua vez, ficou praticamente estável, com 10,8 milhões de hectolitros, queda de 0,9% em relação a 2024 e apenas 1,0% abaixo da média recente.
Estados Unidos e Chile em queda
Os Estados Unidos seguem como o quarto maior produtor mundial de vinho, mas registraram uma nova queda em 2025. A produção foi de 20 milhões de hectolitros, um recuo de 5,3% em relação a 2024 e 16,2% abaixo da média de cinco anos. Segundo a OIV, esse movimento parece estar ligado não apenas a fatores climáticos, mas também à demanda mais fraca, que pressiona preços e margens e leva a estratégias de produção mais cautelosas, sobretudo na Califórnia.
O Chile registrou uma das maiores quedas entre os grandes produtores. A produção chilena foi de 8,4 milhões de hectolitros, queda de 9,9% em relação a 2024 e 25,9% abaixo da média de cinco anos. Foi o quarto ano consecutivo de recuo, levando o país ao menor volume desde 2007. Este desempenho resulta da escassez persistente de água e da maior variabilidade climática. Além disso, a demanda internacional mais fraca nos últimos anos contribuiu para um ambiente de produção mais cauteloso. O resultado chama a atenção porque o Chile, além de ser um importante produtor, depende fortemente do mercado externo.
Brasil tem forte recuperação
Por outro lado, O Brasil foi um dos grandes destaques positivos de 2025. Depois da colheita muito ruim de 2024, a produção brasileira de vinho atingiu 2,8 milhões de hectolitros. Isso representa uma alta de 80,6% em relação ao ano anterior e coloca o país 15,8% acima da média dos últimos cinco anos.
A recuperação foi explicada por condições climáticas mais favoráveis. Segundo a OIV, o ciclo contou com um inverno chuvoso, seguido de uma primavera e de um verão secos e ensolarados, o que favoreceu altos rendimentos nas principais regiões produtoras. A comparação com 2024, naturalmente, amplia a magnitude da alta, já que a safra anterior havia sido excepcionalmente baixa. Mesmo assim, o dado é relevante. Em um ano em que a produção mundial seguiu deprimida, o Brasil aparece entre os poucos produtores com crescimento expressivo e produção acima da média de cinco anos.
China segue em retração
No passado recente vista como uma potência do setor, a China voltou a registrar queda importante na produção de vinho. Em 2025, o volume foi estimado em 2,2 milhões de hectolitros, recuo de 17,8% em relação a 2024 e impressionantes 53% abaixo da média dos últimos cinco anos. O país, que chegou a ocupar posição de destaque entre os maiores produtores mundiais, agora aparece apenas na 18ª colocação global.
A tendência de queda não é nova. A produção chinesa atingiu seu pico em 2012, quando o país chegou a ser o quinto maior produtor de vinho do mundo. Desde então, o volume vem recuando de forma consistente. A OIV associa esse movimento à demanda doméstica fraca e a ajustes estruturais no setor, incluindo uma tentativa de reposicionamento mais premium e uma base de consumidores mais estreita. A queda chinesa é importante porque mostra que a retração não está ligada apenas a um problema climático pontual. Trata-se de um ajuste mais profundo, que combina menor consumo interno, mudanças de comportamento e reestruturação da própria indústria local.
Os 20 maiores produtores
Confira na ilustração abaixo os maiores produtores de vinho do mundo em 2025. Se você está usando celular ou tablet e quiser ampliar a visualização, toque e solte rapidamente cada um dos círculos. Caso queira ver os dados completos de cada país, basta tocar no círculo correspondente e manter até que o pop-up com os dados apareça. Se estiver usando PC, basta passar o cursor do mouse.
Fonte: OIV