Três vinhos da Champagne Tarlant

Tarlant tem ganhado destaque em Champagne por diversos motivos, inclusive por sua metodologia de trabalho, bastante particular. Cerca de 90% de sua produção corresponde a Champagne Brut Nature, incluindo o seu vinho de entrada, o Zéro Brut Nature, que responde por cerca de 70% do volume produzido. Ao lado dessa base, a linha de alta gama da Tarlant se divide em duas frentes: cortes entre as principais castas de Champagne e monovarietais, elaborados isoladamente a partir de cada uma das três variedades-chave da região: Chardonnay, Pinot Noir e Meunier. Nesta degustação, organizada pela Tanyno, seu importador no Brasil, foram provados três desta segunda linha: L’Enclume (Chardonnay), La Vigne d’Or (Meunier) e La Vigne Royale (Pinot Noir), provenientes de diferentes safras.

L’Enclume, 2013, 12%

Uvas provenientes do lieu-dit L’Enclume, em Œuilly, na Vallée de la Marne. São videiras plantadas em 1977, com orientação leste em solos com sílex e calcário. Na vinificação, após prensagem lenta, fermentação espontânea em barricas de carvalho da Borgonha e sem conversão malolática, o vinho permaneceu cerca de seis meses com suas lias. Tirage em julho de 2014 e dégorgement em 2 de junho de 2025 (aproximadamente 11 anos com as lias em garrafas). Como nos demais vinhos da degustação, não recebeu dosage, com produção de apenas 3.000 garrafas.

A safra de 2013 recebeu excelente avaliação, o que tornou ainda mais especial este 100% Chardonnay. Um champagne fresco, elegante e vertical, com muita precisão e equilíbrio. Olfativo de intensidade média, com notas de limão, grapefruit branco, flor de macieira, giz, casca de ostra, sílex e massa de pão, além de fruta fresca. No palato, mostrou-se bone dry, com acidez alta e corpo médio, com mouthfeel tenso, fresco e salino. A estrutura é tensa, linear e vertical, com caráter leve, sublime e gastronômico. Final longo, com caráter salino.

La Vigne d’Or, 2009, 12%

Monovarietal de Meunier, proveniente de vinhas velhas (plantadas em 1947), no lieu-dit Pierre de Bellevue, em Œuilly, na Vallée de la Marne, de exposição nordeste e sobre subsolo argilo-calcário. Vinificação em linha com a anterior, com o vinho base passando sete meses com suas lias. Após engarrafamento, quase 14 anos sur lattes. Também um Brut Nature com 0 g/L, de produção ainda menor (1.300 garrafas).

Em uma safra de perfil mais frutado e potente, um excelente Meunier que deixa claro o padrão de qualidade dos Tarlant. Nariz de intensidade pronunciada, com notas de maçã amarela e assada, laranja sanguinello, limão, pimenta-do-reino preta e fruta fresca. Palato seco de alta acidez e corpo médio-mais, com estrutura profunda e precisa e textura cremosa. Mais rico e frutado, sem renunciar ao frescor, uma belíssima expressão da variedade chamada “patinho feio” da região.

La Vigne Royale, 2007, 12%

100% Pinot Noir, proveniente da Vallée de la Marne, no lieu-dit Mocque-Tonneau, em Celles-lès-Condé. São vinhas plantadas em 1991, sobre subsolo de calcário duro, de origem bastante diferente das outras duas cuvées. Vinificação em linha com os demais, com aproximadamente 14 anos e dois meses com as lias em garrafas, zero gramas de dosage e produção de 1.500 garrafas.

Um vinho mais austero e vinoso, mas ainda assim preciso e linear, reflexo da controvertida safra de 2007. Olfativo de intensidade média, com notas de maçã vermelha, framboesa, cereja ácida, fruta fresca e massa de pão, além de um toque de fruta. Já no palato, acidez alta e corpo médio, com estrutura linear, vertical e tensa; a textura é austera (sem aquela intensidade de fruta mais evidente), com boa complexidade. Uma versão fascinante da Pinot Noir, porém em um patamar ligeiramente abaixo dos demais.

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