Château Miraval: o que estrelas de Hollywood, Château Beaucastel e Pink Floyd têm em comum?

Poucas vinícolas conseguem combinar tantas peculiaridades como Château Miraval. Ter entre seus sócios duas das maiores estrelas de Hollywood, que inclusive se casaram na mansão que dá nome à propriedade? Contar com um dos mais respeitados enólogos do sul da França para elaborar seus vinhos? Estar situada em uma das poucas áreas 100% orgânicas da França? Ou ter um estúdio de música dentro da propriedade, usado para gravar faixas de alguns dos álbuns mais icônicos da história?

O mais interessante, porém, é que o ponto alto do Château Miraval não é todo este glamour. É uma vinícola que consegue produzir alguns dos melhores e mais consistentes rosés da Provence. Isso sem contar com alguns vinhos brancos que, por sua qualidade e raridade, são disputados tanto por especialistas como curiosos.

Um pouco de história  

Château Miraval está localizado no pequeno vilarejo de Correns, na Provence, a primeira vila certificada orgânica da França, condição que obteve em 1995. O primeiro registro de seus vinhedos data do século XV, embora a atividade de viticultura possivelmente seja muito mais antiga, pois a região tem tradição na elaboração de vinhos desde a época romana.

A propriedade, que soma cerca de 500 hectares, entre vinhedos, bosques, oliveiras e outras culturas, já passou pelas mãos de diversos proprietários, entre eles o Príncipe Orsini, de Nápoles. Mais recentemente, na década de 1970, a propriedade foi adquirida pelo pianista francês de jazz Jacques Loussier, que criou um estúdio de ponta na propriedade, o Studio Miraval.

Pink Floyd no estúdio e na garrafa

Além do proprietário, utilizaram estas instalações músicos como AC/DC, The Cure, Muse, Wham!, Sade, Steve Winwood, Yes, UB40, Queen, Sting, Elton John e Pink Floyd. Destaque para este último, pois a banda inglesa gravou no Studio Miraval algumas faixas do seu clássico álbum The Wall.

Em 1993 o vinhateiro norte-americano Tom Bove comprou a propriedade, adicionou algumas comodidades e modernizou a produção de vinhos, passando a produzir um rosé muito bem avaliado, chamado de Pink Floyd. Mas foi a partir de 2008 que o Château Miraval ganhou ainda mais projeção.

Pitt, Jolie e Perrin

Após terem sobrevoado de helicóptero a região, os astros de Hollywood Angelina Jolie e Brad Pitt resolveram arrendar a propriedade, com opção de compra. O casal exerceu a opção em 2011, por valores que teriam beirado os US$ 60 milhões. Além do palácio em si, que inclusive foi palco do casamento de ambos em 2014, também a elaboração de vinhos recebeu grande atenção.

A partir de 2012 o casal entrou em uma relação comercial com a família Perrin, dona da icônica vinícola Château Beaucastel, na região do Rhône. Pelo acordo, os Perrin teriam uma relação financeira de iguais com a família Jolie-Pitt no negócio de vinhos Miraval e também seriam responsáveis por todo o processo de elaboração dos vinhos da vinícola.

Mesmo com a separação dos astros de Hollywood, confirmada em 2016, a relação comercial continua inalterada. Desde então houve, inclusive, a construção de uma vinícola mais moderna e lançamento de uma nova linha de vinhos. Até hoje, todos os vinhos são identificados com a frase “bottled by Pitt, Jolie and Perrin”.

Agricultura e vinhedos   

No total, são cerca de 50 hectares de vinhedos que, porém, não suficientes para satisfazer a demanda pelos vinhos. Assim, Miraval adquire também uvas de terceiros. Por conta disso, apesar de toda a propriedade (assim com o restante dos vinhedos de Correns) ter certificação orgânica, os vinhos não carregam mais este selo desde 2012. É importante destacar que o Château de Beaucastel vem adotando, em suas propriedades, conceitos orgânicos desde a década de 1950 e algumas práticas biodinâmicas a partir da década de 1970.

Na propriedade do Château Miraval são plantadas as principais variedades comuns na região, como Grenache, Cinsault, Syrah e Rolle (que é como a Vermentino é conhecida na França). Os vinhedos próprios fazem parte de duas denominações de origem distintas, Côtes de Provence e Coteaux Varois en Provence.

 Vinificação e vinhos

Boa parte dos vinhos ainda é parcialmente elaborada nas instalações do Château Beaucastel, que ficam a cerca de 180km de Correns. Uma vez colhidas, as uvas são prensadas e fermentadas no Château Miraval, mas o sumo é transportado para as instalações da família Perrin, em Orange, para envelhecimento e engarrafamento.

Com a inauguração de uma moderna adega em 2018, o Muse, vinho rosé mais exclusivo do Château Miraval, foi lançado, sendo 100% elaborado dentro de suas instalações. Por conta dos elevados investimentos realizados, que incluem ovos de concreto e diversas outras características, fica entre umas das mais modernas vinícolas do mundo.

Além do Muse, Château Miraval elabora também dois outros rosés. Um carrega o nome da vinícola, além do Studio, seu vinho de entrada, que é comercializado não com a denominação de origem Côtes de Provence, mas como Mediterranée IGP. A linha de vinhos inclui também três vinhos brancos, o Studio Blanc, além de dois vinhos de pequena produção, um monovaterietal de Rolle (Miraval Côtes de Provence) e um corte de Rolle e Grenache Blanc (Miraval Coteaux Varois en Provence).  

Nome da VinícolaChâteau Miraval
Website https://www.miraval.com/en/home/
EnólogoMarc Perrin
UvasGrenache, Cinsault, Syrah, Rolle, Grenache Blanc
Área de Vinhedos 50 ha
RegiãoCorrens (Provence-Alpes-Côte d’Azur)
DenominaçõesCôtes de Provence, Coteaux Varois en Provence, Mediterranée IGP
PaísFrança
AgriculturaOrgânica (uvas da vinícola)
VinificaçãoConvencional

Fontes: Website da vinícola; Vineyard Brands (seu importador nos Estados Unidos); Liberty Wines (seu importador do Reino Unido); Provence Wine Zine; Wine Spectator;

Imagem: Château Miraval

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