Originária do noroeste da Península Ibérica, a Godello vem ganhando destaque como uma opção cativante para quem aprecia vinhos brancos frescos, de alta acidez e com potencial de evolução. Nada melhor do que colocar oito exemplares desta variedade frente a frente, em uma degustação às cegas com vinhos provenientes da Espanha e de Portugal, onde é chamada de Gouveio.
Gouveio Tank Fermented 2021, Maçanita 12,5%
Este vinho teve origem em vinhas de cultivo sustentável plantadas a cerca de 700 metros de altitude na Vila de Poiares, no Baixo Corgo, sub-região de clima mais fresco na DOC Douro. Na vinificação, após prensagem direta com cachos inteiros e fermentação em tanques de inox, o vinho passou seis meses com suas lias. Frescor e verticalidade são as melhores definições para este vinho. Coloração palha esverdeada, com olfativo bem primário, marcado por aromas cítricos (limão, lima e grapefruit branco), maçã verde e notas florais (erva-doce). Leve e descompromissado, com alta acidez e corpo médio a baixo.
La Llorona 2019, Veronica Ortega 12,5%
As uvas utilizadas provêm de videiras com cerca de 35 anos, cultivadas de forma orgânica em solos de argila arenosa na cidade de Pieros, a 500 metros de altitude, na DO Bierzo. Na vinificação, as uvas foram totalmente desengaçadas e submetidas a maceração a frio com as cascas durante uma noite. Fermentação natural e estágio de 15 meses em uma combinação de recipientes: barricas de carvalho de 225, 500 e 600 litros, além de 15% mantidos em tanques de inox. Um dos destaques do painel, uma expressão bem distinta, com mais estrutura e camadas, porém sem renunciar à tensão. Coloração amarelo brilhante, com olfativo em estilo redutivo (e leve volátil), com notas de pólvora, frutas de caroço e tangerina. Palato de alta acidez, com corpo médio e muito equilíbrio entre fruta e acidez, um Godello longo e profundo.
Gaba do Xil Godello 2019, Telmo Rodriguez 13%
Uvas provenientes de vinhedos próprios localizados nas encostas calcárias e de ardósia às margens do rio Sil, na fria sub-região de Larouco, sob a DO Valdeorras na Galícia. Na vinificação, as uvas passaram por prensagem pneumática seguida de fermentação natural em tanques de inox, sem conversão maloláctica. O vinho fez estágio de quatro meses em inox com suas lias, sendo engarrafado sem colagem. Um Godello muito correto, com mais textura e leve amargor no final de boca. Visual amarelo-palha, com olfativo intenso marcado por notas cítricas (lima), florais e brioche. Gustativo de boa acidez, corpo médio e notas secundárias de lias em evidência, com boa profundidade e persistência.
Gouveio 2021, CARM 13%
Origem em videiras de cultivo orgânico localizadas em solos de xisto do Douro Superior, uma das zonas mais quentes da região demarcada. Na vinificação, uvas 100% desengaçadas e prensadas sob atmosfera inerte para evitar oxidação precoce. Fermentação alcoólica em inox com temperaturas entre 12°C e 14°C, local onde o vinho permaneceu em estágio com suas lias por seis meses, com uso de bâtonnage. Um vinho mais discreto, com menos tensão e fruta mais madura. Coloração amarela-palha, com notas de abacaxi e de brioche. Na boca, corpo médio, acidez média e fruta mais madura presente, com notas secundárias.
Godello 2021, Bodegas Mauro 13%
Origem em pequenas parcelas de vinhas plantadas em solos pobres compostos por areia, ardósia decomposta e seixos rolados, situadas a 650 metros de altitude em Villafranca del Bierzo e Valtuille de Arriba, fora da demarcação estrita da DO (rotulado como IGP Castilla y León). Na vinificação, fermentação natural em barricas e foudres de carvalho francês de diferentes tamanhos. O vinho estagiou por cerca de 10 meses nesses mesmos recipientes de madeira com uso de bâtonnage. Uma expressão mais elaborada e estruturada da Godello, outro dos destaques do painel. Coloração amarela-palha, com um olfativo marcado por aromas cítricos (sobretudo tangerina), cal, iogurte e cedro na medida. No palato, um vinho de alta acidez, corpo médio, equilibrado, fino e elegante, com textura cremosa e longa persistência.
Gouveio 2023, Beyra por Roboredo Madeira 13,5%
As uvas provêm de vinhedos plantados à altitude média de 700 metros acima do nível do mar, em solos de granito e xisto cortados por filões de quartzo na DOC Beira Interior. Na vinificação, após a colheita manual noturna para preservar o frescor , as uvas foram prensadas diretamente em prensa pneumática. A fermentação ocorreu em tanques inox e o vinho estagiou por dois meses com suas lias antes do engarrafamento. Um Gouveio com “pegada” de Sauvignon Blanc. Visual amarelo-verdeal, com aromas herbáceos e notas de frutas brancas e de maracujá. Na boca, trouxe alta acidez, toque fenólico, grande intensidade aromática, encorpado e com certa rusticidade.
Ultreia Godello 2021, Raul Perez 13,5%
A origem do vinho é uma seleção de vinhedos antigos próprios, incluindo uma parcela plantada em 1906, situados nas vilas de Cacabelos e Valtuille de Abajo, na DO Bierzo. Na vinificação de mínima intervenção, as uvas foram prensadas com cachos inteiros, com fermentação natural em foudres de madeira usada e barricas antigas de carvalho francês. Sem realizar conversão malolática, o vinho fez estágio nos mesmos recipientes por 12 meses, sendo engarrafado sem colagem ou filtração. Dos vinhos do painel, aquele que recebeu a melhor classificação. Coloração amarela-clara, com olfato complexo. Destaque para aromas de pólvora, pêssego branco, cítricos, florais e leve nota láctea. Na boca, alta acidez, corpo médio, textura sedosa com profundidade e muita tensão, com core de fruta e leve madeira, um Godello elegante, profundo e longo.
LB Godello 2010, Luna Beberide 13,5%
Uvas provenientes de vinhas velhas com mais de 60 anos de idade, plantadas em encostas argilo-calcárias na região de Villafranca del Bierzo. Na vinificação, fermentação em tanques de aço inoxidável com leveduras selecionadas. O vinho fez estágio nos mesmos recipientes com suas lias por dois meses antes da clarificação e filtração. A inclusão deste vinho no painel foi uma iniciativa para analisar a capacidade de envelhecimento em garrafa desta variedade. Visual dourado claro, com olfativo levemente oxidativo, pêssego em calda e nota de ervas verdes. Na boca, acidez alta, corpo médio, fruta mais madura e boa estrutura. Mesmo para um vinho que ficou com classificação intermediária no painel, uma boa impressão para um exemplar de 15 anos.